Motoristas do Paraná têm encontrado variações no preço da gasolina comum nos postos de combustíveis em meio à instabilidade no mercado por conta da guerra no Oriente Médio. O aumento súbito, entretanto, tem gerado questionamentos, uma vez que não houve anúncio de aumento de preço nas refinarias pela Petrobras.
Dados divulgados na tarde de sexta-feira (13) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina comum no Paraná teve alta, com revenda acima de R$ 6 por litro.
O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 13 deste mês.
Das nove cidades analisadas, cinco tiveram aumento no preço médio nas duas últimas semanas: Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Maringá e Paranaguá. O maior aumento foi em Guarapuava, de R$ 0,31.
No mesmo período, duas cidades registraram queda: Londrina e Ponta Grossa. Curitiba não teve variação.
Por que a guerra tem impactado nos valores?
O conflito no Oriente Médio começou após ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no Irã, com o objetivo de enfraquecer o programa nuclear do país. A ofensiva provocou a morte de lideranças do regime iraniano e desencadeou retaliações com mísseis contra bases e aliados americanos na região.
A escalada militar aumentou a tensão no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo, o que elevou o risco de interrupção no transporte da commodity.
Com isso, o preço do petróleo subiu no mercado internacional e o dólar se valorizou. Esses fatores impactam o valor dos combustíveis no Brasil, já que gasolina e diesel são derivados do petróleo e os preços acompanham as variações do mercado global.
Governo Federal reduz Pis e Cofins para tentar controlar o preço do diesel
Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do governo anunciaram um pacote de medidas para conter o impacto da guerra no preço do diesel e, consequentemente, na inflação de produtos que dependem do combustível para chegar aos consumidores.
As medidas assinadas por Lula foram:
- um decreto que zera as alíquotas do PIS/Cofins incidentes sobre óleo diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro, segundo o governo;
- uma medida provisória que prevê o pagamento de uma subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32, por litro;
- a tributação, via medida provisória, da exportação de petróleo com o objetivo de ampliar o refino interno e garantir o abastecimento da população;
- um decreto que determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção.
O pacote de ações entrou em vigor com a publicação dos textos no “Diário Oficial da União”. Com as medidas, o governo espera gerar um alívio de R$ 0,64 por litro de diesel nas bombas.
Paranapetro diz que redução do governo é positiva
O Paranapetro, sindicato que representa os proprietários de postos de combustíveis do Paraná, afirmou que a redução dos impostos federais PIS e Cofins é positiva, mas destacou que o repasse da queda de preços depende das distribuidoras.
Segundo a entidade, no caso da gasolina e do diesel, os tributos são pagos pelas distribuidoras no momento da compra nas refinarias ou importadoras, dentro do regime de substituição tributária. Por isso, para que a redução chegue ao consumidor final, é necessário que as distribuidoras repassem primeiro a diminuição de custos aos postos.
“Espera-se das distribuidoras a mesma agilidade adotada nos seguidos aumentos de preços aos postos, que seguem sendo praticados desde o início da guerra no Oriente Médio”, diz a nota.
Portal Guaíra com informações do G1


