O ataque dos Estados Unidos à Venezuela acendeu entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a preocupação de que os próximos passos do governo Donald Trump na região envolvam uma tentativa de influenciar o processo eleitoral do ano que vem no Brasil.
Embora tenha condenado duramente os bombardeios no país latino-americano e a captura de Nicolás Maduro, Lula, segundo aliados, agora terá o desafio de se equilibrar entre pressões políticas e preservar sua própria relação com o governo de Donald Trump.
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela ocorre num momento em que o presidente brasileiro mantém um bom diálogo com Trump, na esteira das negociações do tarifaço imposto pelo governo americano ao Brasil.
A avaliação é que Lula não poderia em hipótese alguma deixar de adotar uma postura crítica em relação ao ataque, até para defender a soberania latino-americana. Mas uma alternativa, daqui para frente, pode ser reforçar sua disposição de atuar como mediador do conflito.
Há um temor de que, ao longo dos próximos meses, Trump busque aumentar ainda mais sua influência na região passando também pela eleição no Brasil.
A tese é que um tensionamento da relação com o governo norte-americano poderia resultar, por exemplo, em um endosso de Trump ao bolsonarismo na disputa pelo Palácio do Planalto.
A ordem, agora, é aguardar até que os Estados Unidos deem mais esclarecimentos a respeito da operação na Venezuela antes de definir a próxima fase da estratégia brasileira.
Nesta manhã, Lula foi às redes sociais e disse que “os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam a linha do inaceitável”. O presidente criticou a “violação do direito internacional”, pediu reação da ONU e colocou-se à disposição para promover o diálogo e cooperação na região.
Uma opção ventilada nos bastidores é que Lula delegue ao PT o discurso mais duro contra os Estados Unidos, uma receita que já guiou em outras ocasiões a estratégia do Brasil a respeito de questões internacionais.
Por enquanto, líderes do PT também aguardam mais detalhes a respeito da operação na Venezuela antes de convocar uma deliberação interna a respeito do conflito.
Portal Guaíra com informações da CNN





